segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Willian Shakespeare




Soneto nº 15

Quando penso que tudo o quanto cresce
Só prende a perfeição por um momento,
Que neste palco é sombra o que aparece
Velado pelo olhar do firmamento;
Que os homens, como as plantas que germinam,
Do céu têm o que os freie e o que os ajude;
Crescem pujantes e, depois, declinam,
Lembrando apenas sua plenitude.
Então a idéia dessa instável sina
Mais rica ainda te faz ao meu olhar;
Vendo o tempo, em debate com a ruína,
Teu jovem dia em noite transmutar.
Por teu amor com o tempo, então, guerreio,
E o que ele toma, a ti eu presenteio.

Triste Destino




Quando às vezes o mar soluça tristemente
A praia abre-lhe os braços e deixa-o a gemer;
Embala-o com amor, de leve, docemente,
E canta-lhe cantigas pra adormecer!

Quando o Outono leva a folha rendilhada,
O vestido real da branda Primavera,
O rio abre-lhe os braços e leva amortalhada
A pequenina folha, essa ideal quimera!

O sol, agonizante e quase moribundo,
Estende os braços nus, alegre, para o mundo
Que o faz amortalhar em púrpura de lenda!

O sol, a folha, o mar tudo é feliz! Mas eu
Busco a mortalha minha até no alto céu!
E nem a cruz pra mim tem braços que m´estenda!

Florbela Espanca - Trocando olhares - 08/07/1916

Eu amo Porto Alegre




http://www.youtube.com/watch?v=pXQ9z8sPcHI

domingo, 1 de agosto de 2010

PIRAMO E TISBE



Píramo era um jovem assírio, de beleza encantandora apaixonado por Tisbe.Tisbe por sua vez era linda jovem grega, mas o amor de ambos foi proibido pelos pais, que levantaram um muro em volta de ambas as casas impedindo os jovens de se verem, exceto por um buraco pequeno por onde se falavam.Assim passavam-se os dias, suplicantes para ambos.Até que um dia resolveram fugir, marcando um encontro no vale, onde encontrava-se o túmulo de Nino que era protegido por uma imensa amoreira.Aquele que chegasse primeiro esperaria o outro.Assim fizeram e Tisbe chegou primeiro. Mas logo após ele ouviu o uivo de uma leoa, que vinha em sua direção para beber água no rio.Havia acabado de comer uma presa e tinha sede.Tisbe se escondeu subindo numa árvore, mas ao correr deixou cair seu manto que a agasalhava.A leoa saciou-se da sede e seu seu caminho, mas ao passar pelo manto quis brincar com ele, arranhando e mordendo, despedaçando e sujando-o de sangue.Tempos depois Píramo chegou ao local.Estava atrasado pois cães o seguiam e ele precisava despista-los.Chamava por tisbe, observava os lados e acabou avistando o manto de Tisbe todo rasgado e sujo de sangue.Apavorado pegou e reconheceu-o e chorando começou a lamentar-se.Gritou, berrou, xingou os deuses e sacou de um punhal atingindo seu coração.
Alguns metros dali Tisbe ouviu uma voz que parecia chamar-lhe e foi verificar quem era.
Chegou ao local e viu o corpo de Píramo caído.Chorando pegou a lâmina de Píramo e enterrou também em seu coração.Píramo abriu os olhos, sorriu vagamente e suspirou pela última vez.Logo depois os pais de ambos chegaram e desesperados viram os corpos dos seus filhos caídos e abraçados um ao outro.O ódio deu lugar aos prantos e choros.Enterraram-nos ali próximo e a amoreira, onde estavam, que antes era branca, sem vida e amarga, passou a ser vermelha e de uma doçura inigualável.
Publicado em: novembro 07, 2007

Lawrence Alma-Tadema


Vida
Alma-Tadema era filho do advogado Pieter Tadema e de sua segunda esposa. Seu pai faleceu em 1840 e ele ganhou um padrasto (daí o seu sobrenome Alma, do qual procurou distanciar-se mais tarde em sua vida). Aos 16 anos (1852) Alma-Tadema foi à Antuérpia onde freqüentou a academia de arte de Gustave Wappers.
Aos 27 anos (em 1863) Alma-Tadema perdeu a sua mãe.
Com estes contatos e experiência acumulada, ele pode, mais tarde, transferir-se ao ateliê de Henri Leys, a quem veio a servir de assistente. Em 1859 Alma-Tadema auxiliou Leys na decoração do prédio da prefeitura da Antuérpia. Nos anos seguintes Alma-Tadema trabalhou como artista independente; freqüentando, porém, alternadamente, o ateliê de Joseph Laurent Dyckmans ou o ateliê de Gustave Wappers na condição de aprendiz.
Em 1863 Alma-Tadema casou-se com uma uma inglesa com quem viveu na cidade de Bruxelas até 1869, quando faleceu na Alemanha.
Uma de suas pinturas foi premiada com medalha em 1864 numa exposição que ocorreu em um salão parisiense. Igualmente, na exposição internacional de Paris, em 1867, as suas peças em exibição também foram agraciadas com prêmios.

Juan Gris


Juan Gris es uno de los pintores españoles precusor del cubismo, ya que la exploración con este estilo la comenzó en 1906, cuando se trasladó a París y conoció a Pablo Picasso y Braque.
Para 1912, Gris exponía en el Salón de los Independientes su Homenaje a Picasso, una de sus obras capitales, junto con sus famosos bodegones.
Siempre me pregunté que fue de Juan Gris en la historia del arte español, por qué no cobró la notoriedad de Picasso, quizás sea una pregunta sin respuesta, pero su muerte repentina a los 40 años puede ser parte de la respuesta, ya que con más producción quizás su figura no haya sido tan eclipsada

Alma perdida


Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma da gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!
Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente…
Talvez sejas a alma, a alma doente
D’alguém que quis amar e nunca amou!
Toda a noite choraste… e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!
Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh’alma
Que chorasse perdida em tua voz!…

Florbela Espanca - Livro de Mágoas